Marcelo Palomino/ Autocosmos.com/Chile- Exclusivo no Brasil para Auto Press
Desde que foi lançado em 2008, o Audi Q5 apresenta uma nova geração a cada oito anos exatos. É um intervalo relativamente longo, em se tratando de uma marca de luxo, que em parte se deve à ênfase que a marca vem dedicando à questão elétrica.
Uma peculiaridade desse SUV médio-grande de luxo é ser produzido somente fora da Europa, na China e México, mas mesmo sendo feito em San José Chiapa, demorou quase um ano para desembarcar no Brasil, desde o seu lançamento no final de 2024. Por aqui, ele chegou em duas configurações de carroceria, SUV e Sportback, e em duas versões de acabamento, Advantage e S Line, todas animadas pela versão Evo5 do motor 2.0 TFSI a gasolina.
Os preços da versão SUV avaliada começam em R$ 424.990 na versão de entrada e R$ 484.990 na S-Line - bem mais em conta que seus rivais diretos, BMW X3 e Mercedes-Benz GLC, que saem por até R$ 510 mil e R$ 560 mil, respectivamente.
E foi para ganhar essa competitividade que a Audi optou por trazer apenas as versões com motorização tradicional, sem assistência elétrica – no México, desde o lançamento, o modelo tem a versão MHEV Plus de 48V, que encareceria o modelo em cerca de 10%.
Esta terceira geração do modelo não só recebe mudanças estéticas externas e internas, mas também modifica a plataforma sobre a qual é construída e também os motores.
Em suma: é um modelo totalmente novo. Ele está montado na nova plataforma PPC (Premium Platform Combustion), que estreou com a nova geração do A5 e que é a segunda evolução da arquitetura MLB. Nela são usados adesivos estruturais aprimorados e novos métodos de soldagem, utilizando cerca de 6.500 pontos por corpo, para aumentar substancialmente a rigidez torsional e estrutural.
Apesar do uso de uma base nova, as dimensões gerais do modelo quase não mudam. O Audi Q5 ganhou 3,5 cm no comprimento, com 4,72 m, mas manteve a largura em 1,90 m, a altura em 1,65 m e o entre-eixos de 2,82 m.
O porta-malas também permanece inalterado, com 520 litros. As modificações no chassi foram focadas em melhorar a qualidade condutiva, com amortecedores do tipo FSD (Amortecimento Seletivo de Frequência), que variam a rigidez dependendo da velocidade do impacto do piso nas rodas. Em asfalto liso fica mais rígido e em pisos irregulares permite o deslocamento mais rápido do óleo interno, o que torna a rodagem mais suave.
O motor EA888 2.0 TFSI de quatro cilindros foi recalibrado e teve potência aumentada de 265 cv na segunda geração para 272 cv agora. O torque também subiu de 37,7 para 40,8 kgfm. Já a versão mais esportiva SQ5 é equipada com o motor EA839 TFSI 3.0 V6, que pode alcançar até 367 cv e 550 Nm de torque. Ambas as versões possuem câmbio automático S-tronic de dupla embreagem de 7 marchas e tração nas quatro rodas
. Em relação ao design, o Q5 ganha certa expressividade devido às linhas mais agressivas. Ele mantém uma grande grade frontal como protagonista, faróis finos e afiados, que, aliás, possuem a segunda geração da tecnologia de matriz de led, que permite alterar o design da própria assinatura luminosa.
Na traseira, há luzes fixadas ao centro e que, como na geração anterior, podem modificar seu padrão para alertar o motorista detrás que está muito próximo do carro. As diferenças visuais entre o Q5 e o SQ5 são os para-choques mais agressivos, rodas maiores e pinças de freio coloridas e elementos escurecidos, como logos, grade, barras de teto, quadro de vidro etc.
No interior, a terceira geração do Audi Q5 traz um design mais futurista, seguindo o mesmo registro apresentado nos modelos A5 e A6. O painel possui uma grande estrutura curva que abriga duas telas, que a marca chama de MMI Panorâmica Display.
O primeiro é o painel de instrumentos de 11,9 polegadas e a segunda é para a central multimídia, com 14,5 polegadas, que usa o sistema Android Automotive, com interface extremamente simples e amigável. Há ainda uma terceira tela de 10,9 polegadas na frente do passageiro e também um head-up display com realidade aumentada.
Seguindo a moda chinesa, a presença de botões físicos e controles é quase simbólica, com algumas posições no topo do console. Nem o controle climático nem o sistema de áudio foram poupados. A regra é o toque na tela ou a partir do volante multifuncional. Os gráficos e a resolução dos mapas são de alta qualidade.
Uma grande melhoria ocorreu no carregador de celular sem fio, que é de alta potência e tem saídas de ar-condicionado para manter o aparelho resfriado. Há ainda tomadas USB-C com até 100 watts de energia, capaz de carregar um laptop, por exemplo. A lista de equipamentos é, de fato, abundante. Nela estão bancos esportivos com ajuste elétrico e controle climático, revestimento em couro, teto panorâmico com sistema eletrocrômico e um pacote de assistência à condução ADAS bem completo.
Tudo isso vem embrulhado em uma atmosfera premium, muito superior à do antigo Q5. Há materiais com um toque macio, outros muito agradáveis devido às texturas, e os dois estofados de couro testados se destacam pela sensação de qualidade.
Como sempre, há bastante espaço para os passageiros traseiros, mantendo uma postura ideal e bastante espaço para joelhos e cabeça, embora o passageiro no banco central fique desconfortável durante o túnel volumoso. Além disso, os encostos podem ser movidos longitudinalmente e ajustados em duas posições.
foto/ divulgação
Impressões ao dirigir
Versátil e requintado
O Audi Q5 se destaca de cara pela sensação de veículo premium. Não só sentado na cabine, mas especialmente ao dirigir. É um produto de qualidade e isso é transmitido integralmente ao motorista. Ele é confortável, principalmente por conta da nova suspensão com amortecedores ativos, que alteram a rigidez sem eletrônica, usando apenas a frequência do movimento da roda. A dinâmica é muito confortável e simples.
É possível manter um bom ritmo com facilidade e segurança, andar rápido nas rodovias e aproveitar as curvas em estradas de montanha como as que usamos em nosso teste em Pasadena, ao Norte de Los Angeles. É um carro que, apesar de ter ganho peso, é ágil e muito confiável. É um carro que não busca surpreender o motorista com coisas estranhas.
O que está claro é que o novo Audi Q5 vai deixar muito satisfeitos aqueles que procuram um SUV urbano para uso diário, ou um veículo para uso misto. Sem esquecer que não é um grande carro esportivo, já que é um utilitário. Ainda assim, o dinamismo típico da Audi está claramente presente.









