BRUNA SANTIAGO
O 8 de março é, antes de tudo, um dia de reconhecimento. Reconhecimento da força, da competência, da inteligência e da capacidade transformadora das mulheres. Para nós, da Enfermagem, essa data carrega um significado ainda mais profundo: 85% dos profissionais da área são mulheres.
Somos maioria. Somos presença. Somos sustento. Ao longo da minha trajetória, tive o privilégio de conviver com mulheres extraordinárias – na família, na profissão, na gestão pública. Mulheres batalhadoras, comprometidas, multidisciplinares, que sustentam jornadas exaustivas com coragem e responsabilidade.
Mulheres que cuidam, que lideram, que estudam, que educam, que enfrentam plantões e ainda seguem sendo o pilar de suas casas. Celebrar isso é justo. É necessário. E não abrimos mão dessa celebração. Mas o Dia Internacional da Mulher também é, inevitavelmente, um convite à reflexão. Vivemos em um país onde a violência contra a mulher ainda é uma realidade cruel e persistente.
Eu poderia dizer que você é guerreira, embora, sinceramente, eu desejasse que não fosse necessário ser
Onde o desrespeito, a desigualdade salarial, a sobrecarga invisível e as múltiplas formas de agressão – física, psicológica, institucional – atravessam o dia a dia feminino. Na Enfermagem, isso ganha contornos ainda mais sensíveis: somos uma profissão essencial, majoritariamente feminina, que atua na linha de frente do cuidado e, muitas vezes, também da vulnerabilidade. Um cuidado que reiteradamente é desvalorizado assim o trabalho da mulher em casa. Não acredito em coincidências.
Por isso, este 8 de março precisa ecoar como um chamado à responsabilidade coletiva. A sociedade precisa discutir e implementar mecanismos eficazes para mudar essa realidade, por meio de políticas públicas consistentes, do compromisso do setor produtivo, da educação e, sobretudo, da adesão verdadeira dos homens nessa transformação. Não estamos pedindo muito já que vocês são pais, tios, irmãos, amigos de mulheres. Essa luta não é só nossa.
É civilizatória porque está quase insuportável acompanhar tantas notícias estarrecedoras. Mas hoje, eu também quero falar diretamente com você, mulher. Existe uma pressão silenciosa que só outra mulher consegue compreender plenamente.
A expectativa de dar conta de tudo. De ser excelente profissional, mãe dedicada, filha presente, companheira atenta, líder equilibrada. De nunca falhar. De nunca cansar. De nunca demonstrar fragilidade. Embora sejamos, sim, extraordinárias, é pesado sustentar tantas exigências.
E ainda assim, você sustenta. Eu poderia dizer que você é guerreira, embora, sinceramente, eu desejasse que não fosse necessário ser. Eu poderia dizer que você é forte, ainda que idealmente o mundo fosse mais justo e menos exigente conosco. Mas enquanto essa realidade não muda, não esqueça: você é imensamente capaz. Você é potente. Você é admirável.
Olhe para a sua trajetória. Para os obstáculos que você já venceu. Para as renúncias que você transformou em conquistas. Para as batalhas silenciosas que ninguém viu, mas que você enfrentou.
Se precisamos tornar o mundo melhor para nós e para as próximas gerações que façamos a nossa parte. Não porque gostamos da batalha, mas porque sabemos enfrentar desafios. Sabemos resistir. Sabemos transformar.
Março também é um mês de debates importantes para a Enfermagem como a Marcha Nacional em Defesa do Piso Salarial da Enfermagem e pela Aprovação da PEC 19 que acontecerá em Brasília no dia 17.
Estaremos lá. E, se é correto dizer que somos uma profissão essencialmente feminina, também é correto afirmar que responderemos com firmeza aos desafios que nos são impostos.
Continuaremos trabalhando para que a Enfermagem seja realmente valorizada, respeitada e protegida. E para que as mulheres que a constroem tenham condições dignas e seguras de exercer sua missão. Feliz Dia Internacional da Mulher! Feliz luta, que eu preferia não travar, mas que, se necessária, me encontrará firme, ao lado de cada uma de vocês.











