Sexta-feira, 06 de Março de 2026

Opinião Sexta-feira, 06 de Março de 2026, 10:37 - A | A

06 de Março de 2026, 10h:37 - A | A

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Os dos extremos da vida



Wilson Carlos Fuah

Durante a nossa existência, transitamos por diferentes experiências, quase sempre situadas entre dois extremos da vida. Em certos momentos somos dominados por intensos questionamentos e descobertas; em outros, alcançamos significativa maturidade e calmaria, em consonância com a fase que estamos vivendo.

Quando jovens, desejamos aproveitar a vida ao máximo, sorvendo cada minuto como se fosse o último. A juventude nos envolve com sua energia inesgotável, fazendo-nos acreditar que o tempo é infinito e que as oportunidades jamais se esgotarão.

Entretanto, à medida que avançamos para a fase madura, o tempo passa a ter outro significado. A consciência dos anos vividos nos leva a refletir sobre os ciclos que se encerram lentamente.

A caminhada parece poder ser interrompida a qualquer momento, em razão do longo percurso já percorrido

Aquilo que antes parecia distante passa a ser percebido com maior proximidade, trazendo consigo inquietações e questionamentos sobre o sentido da caminhada. Com o envelhecimento, muitas pessoas tornam-se mais introspectivas e voltam o olhar para o passado.

É como se buscassem reviver, ainda que na memória, os momentos de beleza e alegria que marcaram suas trajetórias. Nessas recordações encontram forças para enfrentar o futuro, que traz consigo a inevitável incerteza e a verdade existencial que delimita as etapas da vida. Os idosos, em geral, projetam seus sonhos e esperanças na família que os cerca — filhos, netos e bisnetos.

Muitas vezes passam a enxergar nas conquistas dessas novas gerações a continuidade de seus próprios ideais e realizações, encontrando nisso uma forma de prolongar sua presença no mundo. Para os jovens, porém, a morte é um tema remoto e distante. A preocupação maior é viver intensamente o presente. A existência lhes parece infinita, cheia de vigor, coragem e expectativa de realizações.

Já para os idosos, a sensação é diferente. A caminhada parece poder ser interrompida a qualquer momento, em razão do longo percurso já percorrido. Diante dessa consciência do tempo limitado, voltam-se frequentemente para a janela do passado, revendo acontecimentos importantes e alimentando-se das experiências que deram sentido à vida.

Muitos passam a viver de retrospectivas, fixando-se nas lembranças que mais marcaram sua história. Dessa forma, procuram suavizar os desafios impostos pela idade, que se ampliam gradativamente com o passar dos dias. Apesar de a morte ser um fato natural, inevitável e comum a todos, poucos se preparam verdadeiramente para recebê-la.

O medo do desconhecido e da derradeira viagem desperta inseguranças e apegos que dificultam a serenidade diante desse momento final. Mesmo entre aqueles que acreditam que a vida continua após a morte — como defendem os “reencarnacionistas”, ao afirmarem que ela representa apenas a libertação do corpo material —, observa-se que, na prática, quase ninguém se sente plenamente preparado para dar esse passo definitivo de retorno à pátria espiritual.

Assim, entre o entusiasmo da juventude e a reflexão da velhice, seguimos caminhando entre os dois extremos da vida, aprendendo, errando, recordando e, acima de tudo, tentando compreender o grande mistério de existir.  

Wilson Carlos Fuah Escritor, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômica Fale com o Autor: [email protected]        

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