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Política Sexta-feira, 04 de Maio de 2018, 00:00 - A | A

04 de Maio de 2018, 00h:00 - A | A

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2018 um ano de renovação?



Desde o ano de 2013 o sentimento por mudanças profundas na política nacional tem crescido dentro dos brasileiros. Os resultados das eleições de 2014 trouxeram um pouco mais do mesmo, com poucas ou quase nenhuma pessoa que de fato representasse uma mudança de postura política sendo eleitas. As eleições de 2016 também não trouxeram grandes novidades. Mas e agora em 2018, o que podemos prever? 

A política brasileira sempre foi para quem tem pedigree, na política o espaço para o plebeu é raro, normalmente vemos os mesmos sobrenomes e os mesmos grupos financeiros se mantendo ano após ano. Neste momento, o leitor deve estar pensando, “mas as operações recentes mudaram o jogo”, será? 

As operações como a Lava Jato tiraram a tampa da política nacional e mostraram um verdadeiro esgoto que circulava pelas mais altas classes política e empresarial brasileira. Mas como diz o personagem Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite, “o sistema se reinventa”. Se as operações de combate a corrupção trouxeram muita coisa a conhecimento público, os tamanhos dos escândalos ganharam outras dimensões e a elite política viu dentro da boa e velha máquina partidária a forma de garantir os recursos para campanha. A aprovação do fundo de financiamento público de campanha substituiu as volumosas doações dos honestos empresários brasileiros que antes financiavam as campanhas de alguns nobres políticos. 

Muitos dos políticos envolvidos em esquemas de corrupção no Brasil também são altas lideranças partidárias, seja no cenário nacional ou local, os mesmos políticos que antes recebiam dinheiro das empresas envolvidas em corrupção, provavelmente agora irão realizar a distribuição do fundo de campanha. Será que vai dar certo isso?

Os partidos em geral são instituições pouco democráticas, e a forma como são distribuídos recursos de campanha e tempo de televisão depende normalmente do pedigree ou do bolso do candidato. Provavelmente nestas eleições veremos alguns nomes muito presentes nas páginas policiais, agora aparecendo com destaque durante os programas eleitorais. Os nomes novos continuarão com pouco ou quase nenhum apoio partidário e a renovação política talvez não ocorra mais uma vez. O grande motivo para isso é que ainda temos muitos cidadãos que votam nos políticos condenados em escândalos e com isso, essas figuras carimbadas conseguem ficar entre os mais votados, sendo novamente eleitos por mais 4 anos. Será que esse ano veremos mudanças na política? 

Caiubi Kuhn, geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

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