Zeferino dos Santos é morador de Paranaíta desde maio de 1978, quando veio da cidade de Goioerê/PR. No início trabalhou com a agricultura, mais especificamente com café, cacau e guaraná. Com o tempo migrou para a pecuária, atual atividade de sua família.
“A cidade de Paranaíta para mim é um marco, cheguei aqui em 1978 e acabei de criar a filharada toda aqui”, disse.
O que o motivou a vir para a região foi a esperança de poder proporcionar uma vida de mais qualidade para os filhos, já que no Paraná não havia esta possibilidade. “Lá tínhamos pouca terra e hoje cada um tem seu gadinho, seu sitio e nós estamos tranquilos, graças a Deus”, diz Zeferino.
Atualmente, oito filhos ainda moram no município e todos gostam de morar em Paranaíta.
História – Lá no Paraná tínhamos uma terrinha, mas não prosperava. Como já tínhamos os filhos, comecei a me preocupar com o futuro deles, porque para mim viver, dava. Mas e eles como iriam ficar? Pensava neles, em cada um deles. A gente não pensava só na gente, pensando nos filhos, em como iríamos ajudá-los a construir algo. Aqui conseguimos, vencemos! Essa é a grande diferença: aqui tudo melhorou!
Viemos para cá a convite do Antônio Massarelli. Ele que organizou a caravana para virmos, a caravana foi formada por 32 pessoas, de três famílias.
No começo tudo que precisávamos, tínhamos que ir em Alta Floresta, porque aqui não tinha nada. Aquele avião que está na praça em Alta Floresta, era quem buscava em Cuiabá, alimentos e combustível quando faltavam.
Participamos de todo processo de construção de Paranaíta, desde a derrubada das árvores para instalar as famílias que aqui chegavam.
Com o tempo, a cidade foi se moldando, construíram um supermercado, uma sorveteria... Vimos muitas coisas acontecerem aqui!
Gosto muito daqui, nem passear no Paraná queremos ir mais. Só de pensar no frio de lá, não tem blusa que segura. É nossa terrinha lá, mas não nos adaptamos mais.
Meu desejo é que o município melhore ainda mais. Hoje é muito diferente do tempo em que chegamos. Havia muitas dificuldades e foi muito difícil. Chovia demais naquela época, no mês de janeiro você não via o sol, só chuva, secava de maio a agosto. Olha a diferença para agora! Mudou da água para o vinho, de repente pode ser por causa do desmatamento. Chovia tanto, que os poços enchiam, até derramavam.
Nossa primeira escolinha foi em um barraquinho coberto com lona. Fizemos uma mesa cumprida e bancos, como nós fomos os primeiros moradores, a professora ficava na nossa casa, passava a semana toda aqui e voltava para a casa dos seus pais no fim de semana.
Jovelina Vidotto dos Santos, casada com Zeferino há 60 anos, conta que a família passou por momentos difíceis, que quando a agricultura não estava em uma fase boa, tiveram que trabalhar no garimpo, mas que tudo valeu a pena. “Hoje estamos aqui com os filhos todos trabalhando e lutando”, disse Jovelina.