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Opinião Segunda-feira, 24 de Outubro de 2022, 09:38 - A | A

24 de Outubro de 2022, 09h:38 - A | A

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Cooperativismo de crédito e o poder de transformar

Hoje, lá e em muitas nações desenvolvidas, congrega mais de 30% da população usufruindo dos seus benefícios



*João Carlos Spenthof

Celebramos neste dia 20 de outubro o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito. Para 2022, o tema definido pelo Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU) é “Empodere seu futuro financeiro com uma cooperativa de crédito”. Temos muito a comemorar no Brasil e no mundo com esse modelo que tem o propósito de gerar prosperidade às pessoas. O cooperativismo financeiro nasceu no século 19, na Alemanha.

Hoje, lá e em muitas nações desenvolvidas, congrega mais de 30% da população usufruindo dos seus benefícios. São quase 500 milhões de associados ao redor do mundo. Raiffeisen e outros precursores viam no modelo uma forma de mitigar as desigualdades sociais, eliminar a pobreza no campo e na cidade, baseados em princípios de ajuda mútua e solidariedade.

No Brasil, esse movimento tem 120 anos. Iniciou no Sul do país, se espalhou para todas as regiões e avança fortemente no Norte e Nordeste. O padre suíço que trouxe o modelo das cooperativas financeiras ao Brasil, Theodor Amstad, inspirou por aqui uma grande onda de criação de cooperativas, alicerçadas nos mesmos princípios defendidos na Europa.

Dados do Banco Central colocam as cooperativas de crédito, juntas, em 6° lugar no ranking das maiores instituições financeiras do país, atrás do Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander. São mais de 9 mil agências, a maior rede do país, com previsão de abrir mais de duas mil agências nos próximos 3 anos.

 

Em estados como Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina e Espírito Santo, as cooperativas já representam mais de 20% do mercado local de depósitos ou da carteira de crédito. No Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia já são as marcas mais lembradas pela população quando se fala em instituição financeira. No Brasil já são mais de 16 milhões de associados.

Em muitos estados a adesão se aproxima de padrões europeus – 30% da população associada. Os ativos financeiros do Sistema já ultrapassam R$ 500 bilhões. Em termos de relevância é incontestável a contribuição das cooperativas na inclusão financeira de pessoas e municípios (em contraste com o fechamento crescente de agências bancárias), no financiamento ao crédito rural (2º maior agente do país), no crédito às micro e pequenas empresas (liderando o número de operações do Pronampe) e no crédito ao consumo, além do volume de crédito para energia fotovoltaica.

Com essa relevância,

O cooperativismo financeiro já é considerado uma das maiores forças financeiras do país e tem se destacado por promover o desenvolvimento regional

, através de seus diferenciais competitivos de agregação de valor com taxas e serviços justos, distribuição de resultados e participação ativa dos associados no dia a dia e nas decisões das cooperativas.

Tudo isso atuando de forma genuinamente sustentável, buscando o equilíbrio cada vez maior entre os objetivos econômicos, sociais e ambientais, para o bem-estar de todos. A maioria das cooperativas são jovens, com menos de 40 anos. Nesta jornada temos muitos desafios e oportunidades.

Precisamos nos comunicar melhor com a sociedade, para mostrar os benefícios do cooperativismo e atingir ao menos 20% da população do país (44 milhões de associados), combinado com a expansão física para 100% dos 5.500 municípios, com meta especial para as regiões mais carentes, onde moram as melhores oportunidades e onde fazemos a diferença. Outros desafios estão relacionados à expansão física e aos meios digitais, com atuação física e digital, o que chamamos de “fisital”, para nos apropriar dos espaços deixados pelos bancos e ocuparmos a fatia que nos cabe nas contas digitais.

E por que não termos a ambição de um mega cooperativismo financeiro digital, com milhões de pessoas intercooperando e compartilhando em rede, visando benefícios mútuos a todos? Se as fintechs, com seus valores de iniciativa privada foram tão eficazes em engajar milhões de pessoas, as cooperativas, com seus valores, princípios e atuação sustentável que geram impacto social positivo na região, têm muito mais diferenciais competitivos para encantar o público digital, sem perder a essência e os valores cooperativistas. Parabéns aos 16 milhões de brasileiros que se ajudam mutuamente, que autogerem seus recursos, que economizam taxas e tarifas, melhoram sua condição econômica e têm qualidade de vida cada vez melhor. Parabéns aos que, engajados a uma cooperativa financeira, melhoram a vida dos seus semelhantes e do mundo ao seu redor.  

*João Carlos Spenthof é presidente da Central Sicredi Centro Norte, conselheiro de Administração da Confederação Sicredi e vice-presidente da OCB/MT.  

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