Wilson Carlos Fuah
Durante as convenções, fica evidente que as ideologias se tornaram muito semelhantes. Os partidos passaram a ser meras roupagens, usadas pelos políticos conforme as necessidades momentâneas e os interesses pessoais. Após esse período inicial, surge o freio da acomodação: aquele que antes era tratado como “mister” passa a ser visto como estorvo.
As notícias se sucedem na velocidade instantânea dos sites, que, mesmo assim, não conseguem acompanhar os últimos (des)acertos do quadro político-partidário, especialmente no que se refere às coligações para o próximo pleito, sobretudo para governador e senador. O que era deixa de ser, e o que não era passa a ser.
O mundo político é essencialmente transitório. As verdades envelhecem a cada amanhecer, enquanto as mentiras brotam como ervas daninhas, perpetuadas por explicações intermináveis que chegam ao povo por meio das coletivas.
Resta a pergunta: será que o trabalhador tem tempo disponível — e clareza suficiente — para compreender o que se passa na cabeça dos políticos e nas entranhas dos partidos? A eleição para governador é sempre marcante e acirrada, pois trata-se de escolher quem terá as chaves do cofre e o poder da caneta. É um universo que envolve milhões de recursos públicos, antes e depois das eleições, submetidos a acordos com segmentos poderosos e grupos financeiramente influentes.
O mundo político é essencialmente transitório
Ao final do processo eleitoral, aquela máxima de que “o governo existe para o cidadão” fica muito distante da realidade. Começa, então, o grande espetáculo político.
Explodem vaidades, os debates tornam-se palpitantes e surgem os ataques pessoais. Fatos da vida privada dos candidatos, antes ocultos, vêm à tona em vídeos e fotos antigas, muitas vezes comprometedoras, capazes de gerar escândalos de campanha e provocar estragos rapidamente refletidos nas pesquisas. Nesse cenário, entram em ação os doutos da legislação eleitoral, e a palavra de ordem passa a ser: recorrer, impugnar, esperar a liminar.
Ganha, mas não leva; vence, mas permanece sub judice. Durante a campanha, tudo é imediato. O chamado “núcleo duro” dos coordenadores precisa ser ágil, e as decisões devem ser tomadas sem demora. Em política, não existe lógica eterna, mas o princípio do pragmatismo, em que a coerência é moldada conforme o caminho da vitória.
O que antes não se misturava agora se combina para acomodar interesses individuais. Expurgam-se os estranhos no ninho, pois o panorama político é incoerente, repleto de artistas e mágicos do impossível. Nesse jogo, o grande líder — Vossa Excelência, o candidato — transforma-se em um detalhe nas mãos dos marqueteiros, vivendo sob a ditadura das decisões do núcleo duro, convertido em um aventureiro cuidadosamente preparado para vencer.
E os eleitores? Serão lembrados apenas nos primeiros dias de outubro. Depois, passarão quatro longos anos vivendo como maridos enganados: os grandes traídos do teatro político em nome da festa democrática.
As eleições produzem um vasto universo de dados. Passado o pleito, especialistas tentam explicar por que tantos eleitores deixam de votar, por que cresce a anulação e os votos em branco, que se tornaram uma forma silenciosa de protesto diante da repugnância eleitoral.
Essa é uma das faces da democracia: o direito à manifestação, ainda que, ao final, prevaleça a vontade da maioria. Infelizmente, o quadro político e suas relações caminham para a autodestruição, alimentados por práticas pouco republicanas. Assim, a escolha do eleitor passa a ser feita mais pela exclusão do pior do que pela escolha do melhor candidato. Esse é o novo panorama, parte indissociável do contexto político do país.









