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Opinião Quarta-feira, 21 de Setembro de 2022, 09:50 - A | A

21 de Setembro de 2022, 09h:50 - A | A

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A responsabilidade de cada cidadão no trânsito

A importância de se debater o papel de cada cidadão no trânsito é urgente e necessária



Everton Pedroso é residente da Federação Nacional de Inspeção Veicular (FENIVE) e da presidência da Associação Paranaense de Organismos de Inspeção (APOIA)

 

O tema da Semana Nacional de Trânsito deste ano, celebrada entre os dias 18 e 25 de setembro, resgata o mesmo assunto já abordado durante o Maio Amarelo – outro momento de mobilização social: “Juntos salvamos vidas”. Normalmente, são dois momentos distintos ao longo do ano em que os órgãos e autoridades de trânsito, assim como as entidades preocupadas com a melhoria da segurança veicular no Brasil, aproveitam para abordar assuntos que possam sensibilizar a população e chamar a atenção para as demandas mais urgentes referentes ao trânsito no país.

A importância de se debater o papel de cada cidadão no trânsito é tão urgente e necessária que, em 2022, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) optou por investir todos os esforços em um único assunto. O objetivo é levar a sociedade a refletir o que cada um pode fazer – como cidadão, empresa, organismo não-governamental, pesquisador, órgão público ou privado – para melhorar as estatísticas no Brasil.

Em um ano de eleição, esse tipo de reflexão é adequada e necessária, porque esse é um exercício que vem sendo pouco praticado por quem assume o volante.

Quem tem mais de 40 anos é capaz de lembrar de um antigo desenho animado, em que o Pateta assumia personalidades completamente distintas, conforme a posição em que figurava. O Sr. Walker, um pacato pedestre descrito como o verdadeiro “cidadão de bem”, incapaz de machucar uma formiga, assume a personalidade transtornada do Sr. Willer, o Motorista, assim que entra em sua armadura de quatro rodas. A animação, criada pela Disney em meados da década de 1950, continua atual tantos anos depois.

A importância de se debater o papel de cada cidadão no trânsito é urgente e necessária

Hoje, porém, os desafios do trânsito se multiplicaram. Ao assumir o volante, o motorista enfrenta diversos outros problemas que se agravaram do século passado para cá, afetando diretamente as suas emoções: congestionamentos, celular, alto preço dos combustíveis e a insegurança nas ruas são apenas alguns dos componentes que acabam prejudicando ainda mais quem dirige. Sensações de ódio, medo, tristeza, ansiedade, euforia são comuns por quem passa muitas horas do dia no trânsito, multiplicando o número de “Willers” e reduzindo os “Walkers”.

A Federação Nacional da Inspeção Veicular (FENIVE) trabalha diariamente em busca de soluções que possam melhorar a segurança veicular no Brasil. Para isso, não mede esforços para contribuir com a política pública e está sempre em contato com as autoridades para apresentar propostas, discutir ideias e alternativas para problemas que impactam o trânsito e fazem aumentar as estatísticas no país.

Além de uma questão de humanidade, é também um problema de saúde pública: dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontam que o Brasil gastou cerca de R$ 130 bilhões ao ano com despesas hospitalares e patrimoniais decorrentes dos sinistros de trânsito entre 2007 e 2018. É muito dinheiro desperdiçado. Mas o pior: muitas vidas perdidas ou pessoas que ficaram marcadas para sempre pelas tragédias do trânsito. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística (IBGE), as taxas de mortalidade por 100 mil habitantes por sinistros de trânsito de 2010 e 2019 foram, respectivamente, 22 e 15,2 nesses anos.

É necessário educar, mas é preciso ir além. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que está completando 25 anos, precisa ser assimilado e cumprido por todos. A lei precisa ser colocada em prática e fiscalizada.

Não dá mais para perder tempo com demagogia e discursos que buscam atender aos interesses de segmentos específicos. Quando o assunto é trânsito, a prioridade é a segurança e a vida das pessoas. Se isso não for feito, daqui a uma década estaremos falando as mesmas coisas, apenas para novos ouvintes.

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