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Política Sábado, 28 de Julho de 2018, 00:00 - A | A

28 de Julho de 2018, 00h:00 - A | A

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Réu diz que grampos beneficiaram vitória de Taques em 2014



Pablo Rodrigo, repórter do GD

foto/ 

Chico Ferreira

 

 

 

Gerson também afirma que a verdadeira intenção das interceptações clandestinas foi eleitoral, durante o pleito de 2014.A declaração atinge o governador Pedro Taques (PSDB), que sempre negou as acusações do esquema e pediu para ser investigado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) no ano passado, fato que acabou retirando as investigações das mãos do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça (TJMT) e ficando a cargo do ministro Mauro Campbell, do STJ."O dono disso aqui não é a Polícia Miliar e nem o coronel Zaqueu, o dono disso daqui é Paulo Taques e Pedro Taques". A declaração é do cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, réu em processo criminal juntamente com outros 4 policiais. Ele foi o primeiro militar a ser preso juntamente com o ex-comandante da Polícia Militar de Mato Grosso, Zaqueu Barbosa.

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"Depois passado alguns dias Zaqueu me fala para me encontrar com uma pessoa que iria arcar com as despesas, eu fui lá e ele me falou que eu o Coronel Lesco iríamos encontrar com essa pessoa", lembra o cabo durante o seu depoimento de quase 6 horas. "Numa tarde de agosto eu fui com Lesco no restaurante reserva na estrada da Chapada dos Guimarães e lá encontrei com o senhor Paulo Taques, que surge como a pessoa que iria arcar com as despesas", afirma.

Durante o encontro ambos trataram sobre o sistema de interceptação telefônica. "Nesta época ele Paulo Taques coordenador de campanha do Pedro Taques", diz.

"Neste encontro foi dialogado que o senhor Paulo ia arcar com a despesa e ia ter conhecimento daquilo que seria produzido. Eu percebi que teria um pano de fundo atrás da interceptação", completa.

O caso veio à tona no dia 11 de maio do ano passado, quando o ex-secretário-chefe da Casa Civil Paulo Taques deixou o governo.

Entre as vítimas da espionagem em 2014 estão os dois coordenadores jurídicos das campanhas adversárias de Taques naquele ano, José do Patrocínio (campanha de Lúdio Cabral, PT) e José Antônio Rosa (campanha de Janete Riva, PSD). E também o ex-candidato a governador José Marcondes, o Muvuca, a deputada estadual Janaina Riva (PMDB) e o desembargador aposentado José Ferreira Leite.

"Aí eu fiz um segundo relatório, entreguei pra ele e ele começou a explicar a inclusão de cada número, nomes ligados a campanha daquele pleito de 2014, seja do candidato Lúdio Cabral (PT), seja do José Riva, mas os nomes estavam com apelido. Um deles era o Muvuca, que o apelido era o 'Mumu', foi aí que liguei uma coisa com a outra, com as conversas com Paulo Taques", revelou.

"José Antônio Rosa, José do Patrocínio, vereador Chico 2000. É difícil lembrar, assessores de vereadores, advogados", complementa.

"Dentro do gabinete do Zaqueu eu tomei conhecimento do pano de fundo que existiria... cada um dos alvos ele me explicou os motivos", garante Gerson

"Ele disse que o Muvuca era uma ameaça real ao governador, tinha ação contra ele, ameaça. Os assessores, José Patrocínio, o objetivo era pegar um flagrante de crime eleitoral nas coligações adversárias", revelou.

O depoimento acabou às 5h40. A defesa de Gerson alega que irá solicitar os benefícios do instituto de delação premiada.

Já assessoria jurídica do ex-secretário-chefe da Casa Civil Paulo Taques, nega todas as acusações e afirma que só irá se manifestar nos autos do processo.

O governador Pedro Taques não foi localizado para comentar o assunto. (fonto/ Gazeta Digital)

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