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Variedades Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019, 00:00 - A | A

13 de Dezembro de 2019, 00h:00 - A | A

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De volta ao começo



por Geraldo Bessa

TV Press

Receber um convite para integrar o elenco de “Éramos Seis” fez Kiko Mascarenhas viajar no tempo. Mais precisamente para a infância, quando leu e se emocionou com o romance escrito por Maria José Dupré. E mesmo que seu personagem, Virgulino, não apareça no texto original, Kiko fez questão de revisitar a história. “Virgulino aparece apenas nas adaptações para a tevê, mas carrega com ele muitas referências contidas no livro. Principalmente, quando a autora aborda a luta operária por melhores condições. Brinco que meu personagem é pioneiro quando o assunto é militância”, ressalta, com seu humor peculiar.

Aos 57 anos, o ator carioca vive seu melhor momento na televisão. Após muitos anos dedicados a séries como “A Diarista”, “Tapas & Beijos” e “Mister Brau”, o ator tornou-se um “queridinho” de autores e diretores por conta de sua versatilidade e bom “timing” de humor. Além das novelas, ele segue interpretando o icônico Galeão Cumbica no “remake” de “Escolinha do Professor Raimundo”. “Esse projeto é uma grande farra. Acho que fica bem nítido o quanto todos os envolvidos estão felizes em prestar essa homenagem aos grandes nomes do humor brasileiro”, exalta.

P - Você leu “Éramos Seis” nos tempos da escola e voltou ao livro agora para se preparar para a novela. A maturidade mudou suas impressões sobre o enredo?

R - Revisitei essa história com outros olhos. Mas uma coisa não mudou em nada: 'Éramos Seis' é uma história bem triste. O texto é riquíssimo e entendo perfeitamente porque a novela está em sua quinta versão. A história se conecta ao público a partir de uma personagem que se doa sem esperar nada em troca. Eu tenho muita pena da Lola (Glória Pires). Às vezes encontro a Glória pelos corredores e dá vontade de dar um abraço forte nela (risos).

P - Depois de participar de muitas séries, “Éramos Seis” é sua segunda novela consecutiva. Você tomou gosto pelos folhetins?

R - Nunca tive nada contra. Minha estreia na tevê foi um pequeno papel em “A Viagem”, inclusive. Só que, ao longo dos anos, a vida foi me levando para um caminho mais teatral, onde eu tinha tempo de fazer coisas mais curtas e novelas exigem muito mais dedicação. Recentemente, as temporadas que passei em “Tapas & Beijos” me ensinaram muito sobre televisão e fui realmente estreitando os laços. Aí ano passado me diverti muito em “O Tempo Não Para” e hoje estou bem feliz em “Éramos Seis”.

P - Embora as produções sejam bem diferentes, os dois papéis são de época. É um estilo que você gosta?

R - Sim. E acho que tem muito a ver com a minha escola mais teatral de interpretação (risos). Na faixa das sete, em uma novela contemporânea que tinha personagens de época, pude brincar à vontade em cena. Já agora a coisa é mais séria. Embora o Virgulino e a Genu (Kelzy Ecard) sejam personagens mais leves, “Éramos Seis” é uma novela essencialmente dramática. O mais irônico disso tudo é em como o texto soa atual mesmo sendo ambientado na primeira metade do Século XX.

P - Em que sentido?

R - Embora meu personagem seja um “banana” dentro de casa, ele é um entusiasta dos direitos trabalhistas. Já tive cenas maravilhosas falando sobre o salário mínimo, fundo de garantia, férias e melhores condições de trabalho. A luta de hoje em não perder tudo o que foi conquistado aproxima a novela do nosso cotidiano. Virgulino era uma ativista dos direitos do trabalho muito antes disso virar moda (risos).

P - Você costuma expor seus pontos de vista em entrevistas e redes sociais. Como avalia a situação das políticas culturais do país?

R - Parece que estamos vivendo um pesadelo. Sim, a classe artística virou uma espécie de vilã que, segundo os apoiadores do governo, passou anos ganhando dinheiro de forma fácil. As pessoas não sabem como funcionam as leis e esquecem que a cultura faz parte de um pacote de benefícios que a população merece. Eles investem 3% do PIB e a gente devolve 8% em serviços e impostos. Então, é lucrativo investir na cultura. Mas, como plano de governo não é interessante você investir em cultura, porque a cultura estimula o pensamento, inclusive o pensamento crítico. Obviamente, o governo não quer mexer nisso.

Éramos Seis” - Globo - de segunda a sábado, às 21h.

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