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Caderno B Sexta-feira, 04 de Novembro de 2022, 09:05 - A | A

04 de Novembro de 2022, 09h:05 - A | A

Caderno B / CINCO PERGUNTAS

Caminho forte

Carri Costa fala da surpresa de estrear na tevê e exalta a brasilidade de “Cine Holliúdy”



POR GERALDO BESSA
TV PRESS

O teatro sempre foi a vida de Carri Costa. Rosto conhecido dos famosos shows de humor da noite de Fortaleza, capital do Ceará, ele duvidou de verdade quando foi chamado para viver um personagem em “Cine Holliúdy”, onde dá vida ao comerciante Lindoso. “Não é todo dia que alguém da Globo liga para você fazendo o convite para a leitura de um texto no Rio de Janeiro. Entrei de cabeça nessa aventura e foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha trajetória”, avalia.

Na série criada e escrita por Márcio Wilson e Cláudio Paiva, baseada no longa-metragem homônimo escrito e dirigido por Halder Gomes, Lindoso é dono do principal estabelecimento da cidade e sonha em ser reconhecido como um homem da alta sociedade da fictícia Pitombas. “Ele fica dividido entre ter um bom coração e tirar proveito do povo da região. Convivi com muitos donos de biroscas ao longo da minha vida. Tenho intimidade com esse personagem”, garante.

Aos 56 anos, o ator natural da pequena cidade cearense de Pacajus se divide entre o trabalho na série – que caminha para sua terceira temporada – e o sonho de reformar o Teatro da Praia, casa de espetáculos que mantém em Fortaleza. “Ser artista neste país é uma luta e o palco é tudo o que eu tenho. A visibilidade da tevê me ajuda muito nesta caminhada árdua e me encho de orgulho de fazer uma série que é a cara do nosso povo”, valoriza.

P - Você é um dos comediantes mais famosos das noites de Fortaleza e estreou na tevê na primeira temporada do “Cine Holliúdy”. Qual balanço você faz deste “encontro” com o vídeo?

R - Foi tudo muito intenso e interessante. Trabalho com humor há muito tempo, acredito que a vida toda. Em 2017, o Edmilson Filho (protagonista) e o Halder Gomes (diretor) foram ver uma apresentação minha e, ao final do espetáculo, saímos para comemorar. Edmilson estava fechando com a Globo para que o filme fosse adaptado para a tevê e disse que tinha uma coisa boa para acontecer comigo: talvez uma série, um personagem, mas sem fincar nada com muita certeza.

P - Você ficou ansioso?

R - Fiquei esperançoso (risos). Para os atores que estão distantes dos grandes centros, existe uma brincadeira clássica que é um trote telefônico onde alguém liga se identificando como produtor da Globo. É algo tão fora da realidade que você acaba não acreditando muito que isso realmente possa acontecer algum dia.

P - Como você encarou quando recebeu o convite era real?

R - Comecei a puxar assunto e ver até onde o produtor iria bancar aquela ligação. Aí ele disse que havia essa proposta de já assumir um personagem e que a primeira leitura do projeto seria no Rio de Janeiro. Não estava procurando por esse trabalho, mas a felicidade que eu tenho de fazer parte dessa série é imensa. Era um universo que eu realmente ainda não conhecia. Apesar de já ter participado de filmes e outras produções audiovisuais menores, fiquei impressionado com a complexidade e a infraestrutura da televisão. Entrei de cabeça totalmente aberta e o aprendizado é diário e incrível.

P - E como foi construir o Lindoso para a série?

R - Divertido demais. Na verdade, é um tipo que eu conheço muito bem. Lindoso é dono do único estabelecimento de venda de variedades, de secos e molhados, da cidade que ambienta a história. Por viver na periferia de Fortaleza durante a minha adolescência, conheço o que nós chamamos de bodegueiros, os donos dos armazéns. Por isso, tenho muita proximidade com o comportamento, com a linguagem, o vocabulário, a expressividade, a espontaneidade de um proprietário de bodega.

P - E como o Lindoso se apresenta nesta segunda temporada?

R - Continua extremamente apaixonado pela esposa, Belinha (Solange Teixeira). Além disso, continua na saga para ascender socialmente em Pitombas. Ele já tem uma posição favorável, mas quer que a filha case bem, quer ser reconhecido por ser bem-sucedido e alimenta esse clima de disputa na cidade. Lindoso é muito contraditório e ambicioso. A graça dele vem disso.

“Cine Holliúdy” - Globo - terças, às 22h30.

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