Geraldo Bessa/ TV Press
A carreira de Heloísa Perissé sempre percorreu caminhos mais autorais. Por isso, sobrou pouco tempo para a atriz, humorista, diretora e roteirista responder aos convites para embarcar em projetos alheios. De vez em quando, entretanto, aparece algum chamado irresistível do vídeo que faz Perissé renovar sua paixão pela tevê. É este o caso de “Êta Mundo Melhor!”, onde vive a vilã cômica Zulma.
“Zulma é aquela pessoa má, que atrapalha a vida de todo mundo, mas que também tem coração, mesmo que fique escondido por trás de uma máscara de frieza e ambição. É uma vilã irresistível e que me rendeu cenas memoráveis. Vou sentir muita falta dela”, conta.
Natural do Rio de Janeiro, Heloísa começou sua história com a Globo a partir de uma oficina de novos autores de humor. Logo, passou a colaborar com o texto de programas como “Escolinha do Professor Raimundo”, onde conheceu um dos grandes mentores de sua verve cômica: Chico Anysio. “Aprendi muito com ele. Principalmente, a querer sempre seguir por um caminho diverso e criativo”, rememora.
Com o passar dos anos, integrou as equipes de roteiro e, eventualmente, atuou em produções como “O Belo e As Feras”, “Zorra Total” e vários quadros para o dominical “Fantástico”. Até que, ao lado de Ingrid Guimarães, amiga e parceira no êxito teatral “Cócegas”, teve a oportunidade de ganhar uma série exclusivamente para a dupla em “Sob Nova Direção”.
Zulma é aquela pessoa má, que atrapalha a vida de todo mundo
“Até hoje, muita gente manda mensagem dizendo o quanto ainda se divertem com as histórias da Piti e da Belinha”, valoriza. Com folhetins como “Avenida Brasil” e “A Lei do Amor” no currículo, a atriz prefere trabalhos mais curtos, mas encarou os 221 capítulos de “Êta Mundo Melhor!” sem grandes crises.
“Foi um trabalho longo, mas muito divertido. A mistura de história cativante, equipe competente e elenco entrosado me fez bem feliz ao longo deste ano de muito trabalho”, valoriza.
P – Você ficou quase uma década longe dos folhetins. Qual é o saldo desse retorno em “Êta Mundo Melhor!”?
R – Foi uma experiência incrível. Fiz diversas coisas nesses 10 anos que dividem “A Lei do Amor” e “Êta Mundo Melhor!”, produções mais curtas, que se adaptavam melhor à minha rotina. Quando surgiu o convite da Amora (Mautner) e do Walcyr (Carrasco), eu fiquei muito mexida. É uma dupla que eu adoro e foi um chamado muito carinhoso.
P – O fato de Zulma ser uma vilã pesou também?
R – Bastante. Não é o tipo de papel que me oferecem. Então, juntei a vontade de trabalhar com os dois e essa personagem tão diferente, tão amargurada e ambiciosa. E aí também teve a questão de trabalhar diretamente com o núcleo das crianças. Eu comecei minha carreira no teatro infantil e esse era o sinal que eu precisava.
P – Como foi a convivência com os pequenos?
R – Muito boa. Me senti muito acolhida desde o início. São crianças doces, delicadas e muito educadas. Acabou que ficamos amigos, fiz festa para eles na minha casa. Um laço muito forte se criou e isso se revelou em cena também. E também teve a parceria com a Evelyn (Castro), braço-direito da Zulma. Tenho diversas grandes parcerias profissionais ao longo da carreira que se tornaram grandes amizades, como com a Ingrid (Guimarães), a Maria Clara (Gueiros), a Fabíula (Nascimento). E com a Evelyn teve esse encontro muito bonito também.
P – “Êta Mundo Melhor!” chega ao fim como a maior audiência dos anos 2020. Como foi a resposta de público da Zulma?
R – Maravilhosa. As pessoas me param nas ruas e falam para a Zulma deixar o Candinho (Sérgio Guizé) em paz, para tratar melhor as crianças e a Zenaide. É realmente uma repercussão muito gostosa e divertida. Fiz 60 anos durante as gravações da novela e acredito de verdade que fazer parte desse elenco foi um presente para mim.
P – O trabalho a ajudou a passar pelos 60 anos sem crise?
R – A verdade é que me sinto uma mulher feliz, realizada e produtiva. Olho para trás e me sinto muito abençoada com tudo de bom e de ruim que aconteceu na minha vida. Estou aqui para contar as minhas histórias e interpretar as dos outros. A passagem para os 60 anos foi sem crise, só gratidão mesmo.
“Êta Mundo Melhor!” – Globo – de segunda a sábado, às 18h20.











