Mato Grosso do Norte
Reportagem
Mato Grosso do Norte
A delação premiada que foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada, o ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), afirmou que houve um "leilão" para definir quem ocuparia a vaga deixada pelo conselheiro Alencar Soares Filho no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), em 2009. A cadeira acabou sendo ocupada pelo ex-deputado estadual e conselheiro afastado, Sérgio Ricardo.
Investigado por supostamente ter comprado a vaga que ocupa no TCE, o conselheiro Sérgio Ricardo foi afastado imediatamente do cargo em janeiro deste ano, por decisão da Justiça estadual, acusado de ter comprado a vaga.
O ex-governador Silval Barbosa disse o ex-governador de Mato Grosso e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), teria pedido ao então conselheiro Alencar Soares para atrasar a data da aposentadoria e poder indicar uma pessoa de confiança no lugar. Porém, segundo Silval, acabou ocorrendo um leilão para entrar no TCE.
Na delação, Silval diz que o deputado estadual Sérgio Ricardo teria oferecido R$ 2,5 milhões pela vaga, mas que Blairo teria cobrido esse valor, oferecendo R$ 4 milhões. Por fim, Sérgio Ricardo teria feito uma contraproposta, levando a vaga por mais de R$ 10 milhões.
Blairo Maggi se negou a comentar o caso. Ele já é investigado na operação Lava Jato porque delatores da Odebrecht disseram que ele recebeu R$ 12 milhões durante a campanha dele à reeleição para o governo o estado, em 2006.
Silval acusou Blairo Maggi de participar de um esquema de corrupção no estado. Ele afirmou que o ministro fez pagamento ao ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso Eder Moraes, para que ele mudasse um depoimento a fim de inocentar Blairo. Éder teria recebido R$ 6 milhões em propina, sendo R$ 3 pago pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e os outros três, do próprio Silval, para que mudasse o depoimento sobre suposta compra de vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Blairo negou ter feito acordo com Éder e disse que o ex-governador mentiu sobre pagamento de propina ao ex-secretário.
Blairo nega - Mentirosa, leviana e criminosa. É assim que o ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) classifica o conteúdo da delação “bomba” do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) que veio à tona na sexta, 11.
Nessa linha, Blairo nega veementemente que teria subornado o ex-secretário de Estado Eder Moraes para retirar acusações sobre seu envolvimento no esquema para compra de vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Silval garante que Eder revelou o envolvimento de Blairo no esquema para compra de vaga no TCE em depoimento prestado ao Ministério Público Estadual (MPE) em março de 2014. Em seguida, teria cobrado R$ 12 milhões para mudar o conteúdo das declarações.
Só que Blairo e Silval pediram um desconto e o valor da chantagem foi reduzido para R$ 6 milhões.
“Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de governo ou para obstruir a Justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja 'mudanças de versões' em depoimentos de investigados”, disse Blairo em nota disparada após a reportagem ir ao ar.
“Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas”, reforçou.