Reportagem/ Mato Grosso do Norte
Lúcio Funaro e o ex-deputado José Riva tinham negócios em comum. Funaro teria pago R$ 1 milhão a pedido de Riva para a concretização da compra da fazenda Fazenda Bauru, em Colniza. O doleiro, que prestou depoimento da CPI da Sonegação Fiscal na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, é delator da Operação Lava Jato.
Riva e o ex-governador Silval Barbosa em 2012 compraram juntos a fazenda e Riva registrou em nome da sua filha Janaína Riva, a mulher Janete e de seu filho, José Riva Júnior.
A propriedade foi comprada da empresária Magali Pereira Leite, no valor total de R$ 18,6 milhões. A propriedade está em nome da empresa Floresta Viva Exploração de Madeira e Terraplanagem, que pertence à deputada estadual Janaina Riva (MDB), sua mãe Janete Riva e seu irmão José Geraldo Riva Júnior.
O pagamento feito por Funaro através Transferência Eletrônica Direta (TED) consta em um processo de reintegração de posse que Magali ingressou sob alegação de atrasos nos pagamentos, que, se somado a multas contratuais, ultrapassa os R$ 27 milhões.
Funaro depositou R$ 1 milhão na conta de Magali, referente aos R$ 5 milhões, a título de sinal, para a compra da fazenda. Os outros R$ 4 milhões teriam sido quitados pelo ex-deputado e Silval.
O ex-governador era ‘sócio-oculto’ da fazenda, e que teria pago cerca de R$ 5,1 milhões, dinheiro proveniente de propina cobrada em incentivos fiscais para frigoríficos.
A deputada Janaína Riva afirmou que apesar da fazenda e a empresa da Família estar em seu nome, nunca esteve à frente dos negócios, atribuição que sempre foi de seu pai, o ex-deputado José Riva.
Já o pai da parlamentar, justificou que havia negociado uma outra propriedade com o doleiro Lúcio Funaro. E como ele teria que lhe repassar R$ 1 milhão, pediu para fazer o depósito na conta da vendedora. Segundo ele, o dinheiro da transação não tem envolvimento com propina.