Reportagem
Mato Grosso do Norte
O ex-secretário de Estado de Planejamento, Arnaldo Alves, foi interrogado na tarde de quinta-feira, 27, sobre o esquema investigado na ação penal derivada da 4ª fase da Operação Sodoma. Arnaldo chorou e confessou ter recebido cerca de R$ 607 mil de propina. Afirmou que entendeu que o valor repassado era uma espécie de gratificação pelos serviços prestados.
Ele é acusado de ter participado de suposto esquema que teria desviado cerca de R$ 15,8 milhões do Estado, por meio do pagamento da desapropriação de uma área no Bairro Jardim Liberdade, no valor de R$ 31,7 milhões, à empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários.
O valor desviado teria beneficiado a organização criminosa comandada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB).
“Eu achei até que era um prêmio para mim, que era justo. Embora, confesso que sabia que esse retorno não era uma coisa lícita", argumentou.
Ele diz que cumpria ordens de Silval Barbosa
Arnaldo prestou esclarecimento na ação penal oriunda da Operação Sodoma 3, que apura desvios de R$ 16 milhões por meio de uma reapropriação de uma área no bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá. A audiência foi conduzida pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá Selma Rosane Arruda.
Conforme a denúncia, Arnaldo, no período em que permaneceu no cargo tinha como incumbência solicitar e intermediar o pagamento de propina por parte das contratadas por aquela pasta.
Ex-secretário no início do depoimento ameaçou chorar. "Para mim é desagradável ver, diariamente, circulando uma notícia dessa, principalmente para a família", disse com voz trêmula. Depois, reconheceu ter recebido a propina parcelada em três vezes, sendo que uma das vezes foi em cheque e o restante em dinheiro.
Ele insistiu em usar termos eufemísticos para tratar o recebimento do dinheiro ilegal, até que reconheceu as infrações. “Quando eu estou falando de retorno e de comissão, eu concordo que estou falando de uma coisa ilícita", admitiu.
Revelou também que guardava o dinheiro dentro de um armário. O ex-secretário pontuou que parte desse montante que recebeu foi emprestado para o empresário Alan Malouf, que passava por dificuldades na época. Arnaldo nega que a transação tivesse o objetivo de “lavar” o dinheiro.
Arnaldo se lembrou do período em que teve um problema do coração. "Eu saí do médico e fui direto para o gabinete de Silval (Barbosa) e entreguei meu cargo para ele. Ele foi muito humano e falou para eu ficar como secretário. Realmente houve uma despesa muito grande, inclusive que eu vou terminar de pagar esse ano”, afirmou.
Ele revelou a juíza Selma Rosane que o contato dele era sempre com o ex-secretário Chefe da Casa Civil Pedro Nadaf, mas que o procurador aposentado Chico Lima quase sempre estava presente, devido a proximidade entre as salas deles.
Ele confirmou que apenas cumpria as ordens tanto no governo Blairo Maggi, quanto no de Silval.