Reportagem
Mato Grosso do Norte
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira, 14, a Operação Malebolge. Os alvos foram 7 deputados estaduais, o deputado federal Ezequiel Fonseca, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi
A Operação Malebolge, 12ª fase da Ararath, que investiga esquema de corrupção em Mato Grosso. Ao todo, os agentes cumpriram mandados em 64 endereços, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os parlamentares que receberam a visita dos agentes foram Baiano Filho, Zé Domingos Fraga, Romoaldo Júnior Wagner Ramos, Oscar Bezerra, Ondanir Bortolini, o Nininho e Silvano Amaral, além do federal, Ezequiel Fonseca.
A Polícia Federal vasculhou os gabinetes para recolher documentos e computadores, cujos conteúdos podem ajudar a comprovar as acusações feitas por Silval na sua delação. Até os forros foram averiguados.Todos são acusados de cobrar mensalinho para apoiar o governo. Contra Romoaldo existem diversas acusações. O peemedebista teria se beneficiado do suposto mensalinho, recebido propina de obras para bancar campanhas eleitorais e intermediado a negociata para aprovação das contas de Silval, o que foi gravado pelo filho - Rodrigo e Toninho Barbosa - que também são delatores.
Silvano aparece na delação acusado de extorsão para aprovação das contas de Silval no exercício de 2014. O valor exigido teria sido de R$ 200 mil.
Endereços residenciais e escritórios de empresas ligados aos deputados também foram alvos de busca e apreensão.
Os sete deputados estaduais negam as acusações de Silval. Afirmam que os esclarecimentos serão prestados à Justiça.
Nininho - Agentes da Polícia Federal cumpriram mandados na construtora Trípolo, com sede em Rondonópolis. A empreiteira seria de propriedade do deputado Ondanir Bortolini (PSD), o “Nininho”. De acordo com Silval, a empreiteira pagava propina por obras no programa MT Integrado. Nininho também é acusado de pagar R$ 7 milhões em propina para vencer a concessão para administrar a MT-130, com cobrança de pedágio.
Blairo Maggi - A Polícia Federal, nesta quinta-feira, 14, fez busca e apreensões em diversos endereços do ministro e senador Blairo Maggi. De seu apartamento em Brasília, os agentes saíram carregando um malote e uma matriz de computador (CPU). Nos endereços estão duas casas de Blairo, sendo uma em Rondonópolis e outra em Brasília, no residencial funcional, no SQS 309, bloco D, bairro Asa Sul. Além do escritório localizado na empresa Amaggi, na avenida André Antônio Maggi, no bairro Alvorada, em Cuiabá. O senador Cidinho também foi alvo da operação.
Afastamento - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu o afastamento do cargo da prefeita de Juara, Luciane Bezerra, do prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro, de sete deputados, quatro suplentes de deputado e um ex-deputado e atual procurador do Estado, citados nos esquemas de corrupção delatados pelo ex-governador Silval Barbosa .
Foram alvos do pedido de afastamento, além dos prefeitos, o deputado federal Ezequiel Fonseca; o procurador do Estado Alexandre Cesar; os deputados estaduais José Domingos Fraga, Gilmar Fabris, Baiano Filho, Silvano Amaral Romoaldo Júnior, Wagner Ramos e Oscar Bezerra; além dos suplentes Airton Português, Luiz Botelho, Antônio Azambuja e Hermínio Barreto.
O requerimento foi negado de forma liminar (provisória) pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) .
No entanto, os afastamentos dos políticos não está descartado e vai depender do desenrolar das investigações e das análises dos documentos apreendidos na operação de ontem.
Os políticos citados são investigados pela suposta prática de crimes de corrupção passiva, sonegação de renda, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Todos eles tiveram suas residências e gabinetes vasculhados.
Conselheiro afastados - O ministro Luiz Fux, do (STF), determinou o afastamento de cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado: Antônio Joaquim, José Carlos Novelli, Valter Albano, Sérgio Ricardo e Valdir Teis.
Em delação premiada, o ex-governador Silval Barbosa acusou o conselheiro José Carlos Novellli, do Tribunal de Contas do Estado, de pedir R$ 53 milhões em propina, em 2012, para não prejudicar o andamento de obras do programa MT Integrado, de pavimentação de rodovias.
Silval relatou que entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões teriam sido pagos em propina pela Gendoc - outros R$ 15 milhões foram pagos a partir de uma desapropriação de imóveis.