por Geraldo Bessa TV Press
Jaffar Bambirra ficou muito impactado na primeira vez que leu “Dias Perfeitos”, de Raphael Montes. O mergulho na obra aconteceu pouco tempo antes de fazer o teste para viver Téo, o protagonista e grande vilão da série homônima que acaba de chegar ao Globoplay.
Com roteiro de Claudia Jovin e direção de Joana Jabace, a produção conta a história de Téo, um jovem estudante de medicina que, durante um churrasco, conhece Clarice, uma aspirante a roteirista interpretada por Julia Dalavia. Fascinado pela moça, Téo se aproxima persistentemente, mas diante de sua recusa, ele a sequestra.
“Existe uma ebulição interna no Téo. Ele não se sente confortável na própria casca e, quando conhece Clarice, se sente livre para ser quem é de verdade. E, quem ele é, não é nada bacana. Esse personagem me fez entrar em contato com sentimentos muito opostos aos meus”, entrega.
Natural do Rio de Janeiro, Jaffar cresceu acompanhando sua mãe, Nadia Bambirra, que além de atriz, era diretora, produtora, bailarina e professora de atuação. Inicialmente mais interessado em desenvolver sua carreira na música, ele acabou se destacando na atuação primeiro. Seu primeiro papel fixo em novelas foi em “Pega-Pega”, de 2017. Na sequência, participou de produções como “Quanto Mais Vida, Melhor!”, “A Vida Pela Frente” e, mais recentemente, “Mania de Você”.
Com uma carreira em ascensão na Globo, aos 27 anos, ele está envolvido com as gravações de “Emergência 53”, série que aborda a rotina de trabalho de uma equipe do SAMU, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, uma das grandes apostas do Globoplay.
“É um trabalho de muita ação, histórias comoventes, com grande elenco e equipe”, adianta.
Acho que o primeiro detalhe que me veio à mente foi a postura dele, que anda de forma elegante
P – O projeto de adaptar “Dias Perfeitos” para o formato de série existe desde o início de 2023. Como você chegou ao posto de protagonista da produção?
R – Foi via testes. Na mesma época que foi veiculado que o livro seria adaptado, começaram as etapas para a definição do elenco. Apesar de muito recomendado por amigos, eu não tinha lido o livro. A vida estava bem complicada naquele momento. Faltavam alguns dias para o teste e aí comecei a ler.
P – O que achou? R –
É um suspense incrível. Fiquei realmente muito envolvido e devorei a história em dois dias. O livro é uma verdadeira bíblia sobre o personagem criado pelo Raphael (Montes), é muito rico em detalhes sobre o que passa na cabeça do Téo, suas atitudes, receios e desejos mais profundos. Ao longo da leitura, o personagem foi chegando.
P – Como foi essa construção?
R – Acho que o primeiro detalhe que me veio à mente foi a postura dele, que anda de forma elegante, muito correta. Bem diferente de mim, que sou bem desleixado (risos). Esse jeito certinho dele é o que ajuda a camuflar a mente doentia e a capacidade de cometer atrocidades que o personagem carrega. Tive muita ajuda do roteiro adaptado pela Claudia (Jovin), que expandiu o enredo.
P – Como assim?
R – O livro conta a história a partir do ponto de vista do Téo. Na adaptação, a série também apresenta a visão da Clarice (Julia Dalavia). Acho que é uma forma para o público entender melhor o desenvolvimento da relação dos dois e como o meu personagem vai se perdendo na obsessão por essa mulher e por um namoro que não existe.
P – Essa obsessão leva a série a momentos de muita tensão. Como foram as gravações das sequências de abuso físico e terror psicológico?
R – Apesar da história que a gente estava criando, a equipe toda era incrível e o clima no set era muito legal e harmonioso. Criei uma parceria e conexão muito legal com a Julia e foi a partir disso que fomos nos entregando para cenas tão pesadas e difíceis.
“Dias Perfeitos” – Globoplay – oito episódios.