Quarta-feira, 19 de Junho de 2024

Caderno B Sexta-feira, 07 de Junho de 2024, 09:14 - A | A

07 de Junho de 2024, 09h:14 - A | A

Caderno B / CINCO PERGUNTAS

Novo olhar

Bruno Mazzeo voltar retratar os absurdos das situações cotidianas com nova temporada de “Cilada” para o Globoplay



por Geraldo Bessa TV Press  

               Curioso, observador e bom ouvinte, Bruno Mazzeo tem nos pequenos acontecimentos cotidianos sua principal fonte de inspiração. Com uma veia autoral forte, foi justamente a partir de sua percepção particular e cômica do mundo que ele se tornou roteirista de produções como “Sai de Baixo”, “A Diarista” e, em especial, “Cilada”.

Exibida pelo Multishow entre 2004 e 2009, o “Cilada” original mostra o inusitado que faz com que situações cotidianas se transformem em acontecimentos complexos. Agora, 15 anos depois, o projeto é retomado pelo Globoplay, em um movimento que celebra uma das produções mais cultuadas da carreira de Mazzeo.

Em ‘Cilada’ busco muito mais a identificação com a situação vivida do que a graça pela graça. Não só me inspiro nas coisas que acontecem comigo, mas também com minha família, situações que ouço de amigos ou coisas que imagino que possam de fato acontecer”, ressalta.      

Sou mais escritor que ator. Mas gosto de sair dos bastidores e me divertir atuando com os amigos

          

Natural do Rio de Janeiro e descendente do clã artístico liderado pelo pai, o saudoso Chico Anysio, Mazzeo tinha apenas 8 anos quando passou a integrar a equipe de roteiristas do humorístico “Chico Anysio Show”, em 1985, e mais tarde da “Escolinha do Professor Raimundo”.

No final dos anos 1990, passou a agregar trabalhos distantes da forte figura paterna e também investindo em uma carreira como ator, se destacando em produções como “Beleza Pura”, “Cheias de Charme” e, mais recentemente, em “Fim”, onde viveu o errático Sílvio, seu primeiro papel dramático. “Sou mais escritor que ator. Mas gosto de sair dos bastidores e me divertir atuando com os amigos. É um ótimo exercício de observação também”, avalia.

P – O retorno de “Cilada” acontece em um momento onde a tevê está investindo em remakes e resgate de produções do passado. Como você avalia essa onda nostálgica?

R – Isso está acontecendo não só no audiovisual como, mas também na música, por exemplo, com shows comemorativos de álbuns específicos, reencontros. Deve ser uma coisa de idade (risos). Quem me convenceu a revisitar “Cilada” foi o Augusto Casé (produtor). Porém, muito além da nostalgia, a ideia de voltar ao projeto nasce do desejo de celebrar essa história que foi tão importante para a minha carreira.

P – A ideia foi mostrar a um novo público?

R – Também. Eu realmente estou muito curioso para saber qual será o olhar da nova geração sobre a série. Continua sendo uma produção capaz de abranger um público amplo. Uma daquelas que os casais podem ver juntos, pais podem ver com filhos. Afinal, as ciladas são parte da vida de todos nós. Mas não se pode esquecer que tudo na história parte da visão de um casal de 40 e poucos anos.

P – Bruno e Débora estão mais velhos. Como isso influencia na dinâmica do casal?

R – Os protagonistas estão em outro momento da vida. Estão mais maduros e mais cansados também (risos). Essa nova temporada explora bastante a relação dos dois. Eles estão no epicentro das ciladas. O mundo mudou muito de lá para cá. Na última temporada que foi ao ar, o celular ainda era de flip. não existia o tablet, o smartphone. Só a presença do smartphone já trouxe uma mudança fundamental em como as pessoas se comunicam, por exemplo.

P – Como foi retomar a parceria com a Débora Lamm em “Cilada”?

R – A gente está sempre trabalhando junto em alguma coisa. Então, foi um laço que se manteve e ajudou muito na hora de voltar a viver um casal na série. Débora é a pessoa com quem eu mais trabalhei na vida. É um prazer estar ao seu lado, um astral que contagia, uma das risadas mais gostosas que conheço e a gente se entende no olhar.

P – O projeto de revisitar “Cilada” existe desde 2019. Por que os cinco anos de espera?

R – A pandemia veio e atropelou diversos projetos. A equipe estava pronta para começar os trabalhos quando tudo parou. Quando as coisas começaram a melhorar, olhei o texto e vi que precisava de um complemento, pois muitas coisas do cotidiano tinham sido alteradas. Por exemplo, reuniões por vídeo e trabalho remoto.  

Cilada” – Globoplay – nova temporada disponível.

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