POR MÁRCIO MAIO/TV PRESS
Nesta despedida de “Êta Mundo Melhor!”, Eriberto Leão vive um daqueles momentos que tiram atores de suas zonas de conforto e expandem o alcance de um personagem.
Depois de ressuscitado após o desfecho de “Êta Mundo Bom!”, a trama original, Ernesto veio ainda mais perigoso e exposto, mas, paradoxalmente, também mais humano. Se envolveu em crimes mais graves, é verdade.
Mas, pressionado por consequências que se acumulam, o vilão atravessa um arco aparente de transformação, mesmo depois de se tornar milionário. “Se eu tivesse a criatividade e a genialidade do Mauro (Wilson, autor), teria dado ao Ernesto exatamente o mesmo final que estão dando para ele. Me surpreendeu, mas faz sentido. Não sei o que vai causar porque eu acho que ninguém espera, não é nada do que já foi ventilado”, despista, sem entregar spoilers concretos de como será esse processo.
Foi uma das melhores coisas, porque a gente tem uma parceria única, somos muito alinhados em tudo
O reencontro com Flávia Alessandra, parceira de vilania desde “Êta Mundo Bom!”, reforça o peso dramático dessa etapa. “Foi uma das melhores coisas, porque a gente tem uma parceria única, somos muito alinhados em tudo”, celebra Leão. Nas ruas, a reação do público acompanha a escalada de maldade.
“Ele está mais vilão, cometeu mais crimes. E crimes mais graves! Então, eu estou recebendo mais puxões de orelha do que antes”, revela.
P – Você acredita que o Ernesto tenha conserto?
R – Eu acho que todo mundo tem conserto, mas isso não quer dizer que seja fácil. É muito difícil! Mas, da maneira como o Mauro (Wilson, autor) está encaminhando a história do Ernesto e do que eu já ouvi, mas que não posso compartilhar aqui, é totalmente possível. Desde que ele pague por todos os crimes que cometeu. Eu acho que não há transformação sem ter as reações às ações. A partir do momento em que você paga por tudo que fez, há um equilíbrio cósmico no qual é possível uma mudança, sim. Mas, desde que haja um arrependimento e consequências à altura, justas, pois ele merece.
P – Ernesto é pai da Anabela, vivida por Isabelly Carvalho. Isso deve contribuir para essa transformação?
R – Então, isso com certeza faz parte da transformação dele, sim. Eu acho que não justifica ele ter escolhido o caminho que escolheu, mas existem fatores que o influenciaram para esse caminho. Ernesto sempre se questiona: “se eu não tivesse ido para um orfanato, se eu tivesse tido meu pai, minha mãe comigo, será que eu teria seguido esse caminho?”.
É, obviamente, injustificável tudo que ele fez.
Mas a partir do momento em que ele descobre que tem uma filha, um cara que sempre ganhou dinheiro enganando as mulheres, as levando para o Dancing, prometendo casamento e, na verdade, virando gigolô delas, acho que isso vai mexer muito com ele. E a relação dele com a Estela (Larissa Manoela) também sempre foi diferente, por mais que eles não tenham nenhuma ligação afetiva.
P – Você já fez mocinhos e, mais recentemente, uma sequência de vilões. A que atribui essa trajetória?
R – Hora eu tenho cara de mau, hora eu tenho cara de mocinho (risos). Eu acho que isso é pelo tempo que eu estou trabalhando. Já perdi a conta de quantas novelas fiz, quantos personagens interpretei. Então, acho que isso tudo é consequência de estar nisso há muitos anos. E me interessa fazer os vilões nesse momento. Eu tinha feito muitos mocinhos e, agora, bastante vilões. Estou me especializando em ambos.
P – Na primeira versão, supostamente, Ernesto tinha morrido. Como você encarou essa decisão de voltarem com ele?
R – Fiquei muito lisonjeado. Eu não esperava voltar, justamente porque o personagem morreu no penúltimo capítulo. Ser ressuscitado assim, realmente, me deixou muito feliz.
Pude viver tudo isso! Essa, talvez, seja a primeira vez de uma continuação assim. Teve “No Rancho Fundo”, mas era uma parte (de “Mar do Sertão”), não era uma continuação total. A gente entra para a história da melhor maneira possível. E é uma homenagem ao Jorginho (Jorge Fernando, diretor-geral de “Êta Mundo Bom!”, que faleceu em 2019). O tempo inteiro ele está no meu coração.
P – E você estaria preparado para uma terceira parte, uma nova continuação?
R – “Êta Mundo Excelente!”? “Êta Mundo Maravilhoso!”? Olha, se tivesse, eu estaria dentro de novo, claro! Mesmo porque a experiência foi maravilhosa e, diante do final do meu personagem, ia ser maravilhoso.
“Êta Mundo Melhor!” – Globo – Segunda a sexta-feira, na faixa das 18h.







